“Ele é mais inteligente que o ex, com certeza. Curte ler e estuda horrores. Mesmo, não apenas luta por alcançar aquela nota sete sofrida no final do semestre. Curte poesia e adora Leminski (que eu sempre quis conhecer mais e me fascina o pouco que li). Respira cultura e um dos seus lugares favoritos é a Casa de Cultura Mário Quintana. Adora cinema, aliás é cinéfilo, incurável, ainda bem…” É sempre assim, sempre que um relacionamento (ou possível relacionamento) inicia-se, o “crush” atual é superestimado e colocado em um pedestal altíssimo. Mas, ultimamente, bastam aparecer as primeiras diferenças para o boy magia virar boy lixo e todo o encanto ser questionado. Isso quando não descartamos o cara no primeiro erro ou defeitinho.

Quem dera todos esses encantos que nos prendem no início não fossem tão sedutores quanto os defeitos parecem destruidores logo que surgem. Me peguei analisando o quão cegos ficamos por uma imagem de expectativas que criamos e nós mesmos nos encarregamos de destruí-la assim que o pobre candidato nos foge um pouco da idealização sonhada do “amor perfeito”, que nem chegou a se tornar amor e, na maioria das vezes, nem tempo de ser uma paixão teve. É o misto de carência aliada a desejo e expectativas. Mas andamos tão intolerantes às diferenças que estamos nos tornando a maior geração de solteirões que já existiu.

Nossas reclamações e mimimis estão em todos os lugares, explícitos, deixando os vestígios do desagrado de nossa “solteirice”, principalmente nas redes sociais, claro. É “ai, como queria ter um mozão”, “poderia ser a gente mas você não colabora” e mais um festival de indiretas e incontáveis memes de solteiros chorões e resmungões que, na maioria das vezes, quando começa um relacionamento e se depara com a primeira diferença, por mais ridícula que seja, apenas vira as costas depois de um frio “desculpa, não vai dar” ou o famoso “não é você sou eu”. Sem falar dos loucos do zodíaco, me inclua nesse grupo (embora eu esteja tentando sanar isso) por favor, que levam a coisa toda tão a sério que são capazes de dar um fora alegando diferenças zodiacais. É mole? Parece piada, mas, infelizmente é mais comum do que imagina-se.

Sim, estamos cada vez mais procurando desculpas para não nos envolvermos, não mudarmos, não encararmos as diferenças sendo que vivemos pregando a aceitação delas. Queremos que nos aceitem como somos, pregamos que estamos dispostos a evoluir e encarar o novo, mas quando ele surge, quantos de nós nos aventuramos nos “SIMS” da vida? O “Admirável Crush Novo” tem que ser encarado como um desafio de autoconhecimento e de reconhecer no outro uma novidade prazerosa que tu nunca havia tentando desfrutar. Caso contrário todo cruh ficará eternamente etiquetado como crush e nunca teremos um atual namorado, não que tenhamos necessidade de viver ao lado de alguém, mas isso já é assunto para um futuro novo texto.

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